No tempo em que existia o canal People&Arts, havia um interprograma que abriu meu coração para as viagtens: Postais Marco Polo. Um deles trazia aquela flauta andina que nos fazia chorar nos anos 60/70 do século passado. As imagens mostravam uma estrada também andina, e chegava-se a uma grande panela, sobre um fogo de chão, na beira da estarada, na qual fervia um misterioso ensopado. Eu podia sentir o cheiro. Ao lado da panela, uma senhora andina preparava folhas de palha de milho, como fazemos aqui com as pamonhas. Nelas colocava porções do ensopado, amarrava bem e mergulhava em outra panela de molhos amarelo ouro. O zoom permtia então que se situasse esta chef em um cenário branco, terracota e azul, de casas baixas e acolhedoras, enquanto um lettering cobria a última cena: Quebrada de Humahuaca – Patrimônio da Humanidade. Nesse dia jurei que comeria essa “pamonha” andina nessa quebrada. Depois da invenção do Google, descobri que aquela trouxinha de palha de milho era um tamale. Comer um tamale em Humahuaca, foi a meta da viagem ao deserto e da travessia das Altas Montanhas do Chile para a Argentina. No dia 16 de fevereiro de 2009, às 13h16, comi meu místico tamale em uma cantina típica, numa tarde quente, em Humahuaca.



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